A maioria dos rios do planeta sofre com problemas de poluição, urbanização ou sobre-exploração. Um estudo publicado na revista “Nature” traça um “cenário de crise” para os cursos de água.
Uma equipa internacional de investigadores analisou o estado de saúde dos maiores rios do mundo, avaliando o acesso à água pelas populações e o estado do Ambiente, graças a um modelo informático.
“Os rios do planeta estão num verdadeiro cenário de crise”, resume um dos autores deste estudo, Peter McIntyre, professor de Zoologia da Universidade do Wisconsin, Estados Unidos.
No total, 23 “factores de pressão” – como o grau de poluição, a riqueza da fauna e da flora aquática, a taxa de urbanização, desenvolvimento agrícola e industrial ou a captação de água – foram inseridos neste modelo.
Os investigadores concluíram que cerca de 80 por cento da população mundial vive em zonas onde os rios estão gravemente ameaçados, nomeadamente nos Estados Unidos e na Europa ocidental.
Dos 47 rios e mais importantes, ou seja, metade da água doce do globo, 30 são considerados “mediamente” ameaçados. Oito deles estão expostos a uma ameaça muito elevada em termos de acesso da população à água e 14 a uma ameaça muito elevada para a biodiversidade, salientam os autores.
Os países ricos têm investido em barragens, reservatórios ou gestão de bacias hidrográficas, o que permitiu diminuir em 95 por cento os riscos que pesam sobre o abastecimento de água a 850 milhões de habitantes.
Mas todo esse investimento não contribuiu para diminuir as tensões nos próprios rios e muitas vezes teve um impacto muito negativo no ambiente aquático. Para os autores do estudo, seria muito mais vantajoso cortar o mal pela raiz do que gastar milhões de dólares no tratamento dos sintomas.
Nos países em vias de desenvolvimento, 3,4 mil milhões de habitantes estão expostos à ameaça maior. “A maior parte de África, vastas zonas da Ásia Central, a China, Índia, Peru ou Bolívia debatem-se para instalar redes elementares de água potável e de saneamento”, salienta o estudo.
Apesar de este já ser um cenário sombrio, os autores lembram que ficaram de fora do modelo informático usado a poluição mineira e a de substâncias farmacêuticas que vão parar às águas dos rios.


