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Descoberto químico importante no aparecimento de esclerose múltipla

26.04.2011 - 19:31 Por PÚBLICO

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Haverá novos ensaios clínico antes do final do ano Haverá novos ensaios clínico antes do final do ano (MikeBlake/Reuters (arquivo))
Dois estudos mostraram que um químico produzido pelo sistema imunológico provoca em ratinhos uma doença semelhante à esclerose múltipla humana. As descobertas foram publicadas ontem na revista Nature Immunology.

“O que mostrámos neste artigo é que o [químico] GM-CSF das células [do sistema imunológico] Th 17 são importantes para o processo de sinalização que leva à inflamação do sistema nervoso central”, disse Abdolmohamad Rostami, da Universidade de Thomas Jefferson, que liderou um dos estudos.

As Th 17 pertencem a uma classe de células do sistema imunitário chamadas de linfócitos T. O factor IL-23 produzido por outras células imunitárias, que causa uma inflamação auto-imune no cérebro, e induz a produção de GM-CSF nos linfócitos Th 17.

A equipa de cientistas descobriu que os ratinhos que produziam este químico a partir das células T, rapidamente desenvolviam um problema auto-imune parecido com a esclerose múltipla.

Nos humanos, esta doença causa a perda da camada de mielina que reveste os neurónios. Sem ela, os neurónios deixam de ter a capacidade de conduzir impulsos nervosos com rapidez, o que causa uma incapacidade física e mental progressiva.

A equipa de cientistas descobriu também que utilizando o factor IL-27 era capaz de bloquear os sintomas da doença em ratinhos. “Esta foi a primeira vez que tivemos provas directas que ao dar activamente o IL-27 como uma droga, conseguíamos suprimir a doença em ratinhos”, disse Rostami.

O estudo feito pela equipa do cientista Burkhard Becher, da Universidade de Zurique, na Suíça, também identificou o mesmo. A equipa passou seis anos à procura de factores que promovessem o desenvolvimento da esclerose múltipla em ratinhos transgénicos até chegar à GM-CSF.

“Não era possível induzir esclerose múltipla nos ratinhos sem o GM-CSF”, disse em comunicado Becher. “Mais, a doença podia até ser curada nos ratinhos se o [químico] fosse neutralizado.”

Doentes que sofrem de artrite reumatóide estão a ser tratados num ensaio clínico através do bloqueio desta substância. Um ensaio com o mesmo princípio vai ser iniciado no final de 2011 para doentes com esclerose múltipla.

“Estamos muito esperançosos”, disse Becher. “Mas se este tipo de terapia vai realmente resultar em pacientes com esclerose múltipla está por se ver. Um optimismo reservado é a melhor forma de se estar”, concluiu.

Existem no mundo 2,5 milhões de pessoas afectadas por esta doença.

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Também tenho uma sobrinha com a doença. Só que, felizmente, com cuidados médicos adequados e uma ...

Fernando Catarino

02.05.2011 12:38