• Onze meses de conflito na Síria
  • A agência portuguesa para os viajantes gays
  • Portugueses criam portal de estágios (pagos) no Reino Unido

Foi num dos braços principais da ria de Aveiro que biólogos descobriram esta nova espécie

Descoberto novo verme marinho em Portugal

28.01.2010 - 07:42 Por Teresa Firmino

  • Votar 
  •  | 
  •  5 votos 
  • 1 de 1 notícias em Ciências
Diopatra micrura Diopatra micrura (DR)
Adília Pires apanhou-o num dos braços principais da ria de Aveiro - o canal de Mira - e levou-o para o laboratório. Uma vez aí, esta bióloga e os seus orientadores de doutoramento, Ana Maria Rodrigues e Vítor Quintino, puseram-se a analisá-lo. Perceberam que tinham em mãos uma nova espécie de verme marinho, e agora esta equipa de biólogos da Universidade de Aveiro acaba de apresentá-lo ao mundo.

De cor acastanhada, o verme tem à volta de seis centímetros de comprimento. Cinco antenas, com umas riscas azuis, servem de órgãos sensoriais, que detectam substâncias químicas no ambiente e funcionam também como sensores tácteis. Ao longo de parte do corpo, apresenta o que se assemelha a árvores e que, na realidade, são os órgãos de respiração (as brânquias). Até há pouco tempo, apenas se conhecia um primo deste verme marinho na Europa, o Diopatra neapolitana, identificado em meados do século XIX. Na ria de Aveiro e noutras lagoas e estuários portugueses e europeus, o Diopatra neapolitana é conhecido pelo seu interesse económico, pois é vendido como isco na pesca. Também desempenha um papel ecológico importante: "Faz parte de uma cadeia alimentar. Aves, peixes e outros animais comem-no", explica Ana Maria Rodrigues. Na zona da ria de Aveiro, chamam-lhe "casulo", por uma simples razão: "Constrói um tubo e vive lá dentro. É a casinha dele", diz Ana Maria Rodrigues.

Esse tubo é fabricado através de muco segregado pelo animal, ao qual aderem partículas de sedimentos, pedaços de conchas, algas, entre outras coisas. O tubo não se mexe, pois encontra-se preso ao chão. "O animal vem cá fora alimentar-se. Sai do tubo, mas não sai muito."

O novo primo do "casulo" também constrói um tubo, só que é um pouco mais pequeno. Ainda antes da sua descoberta, os três biólogos já tinham encontrado uma outra espécie de verme marinho, também no canal de Mira - o Diopatra marocensis, até então apenas identificado na costa de Marrocos. Quando depararam com exemplares que se pareciam com o Diopatra marocensis, os cientistas portugueses entraram em contacto com uma investigadora especialista neste género de vermes. Hannelore Paxton, da Universidade de Macquarie (em Sydney), que tinha sido quem descobrira a espécie de Marrocos, confirmou a suspeita. No ano passado, esta descoberta era publicada num artigo científico.

Quando os biólogos portugueses voltaram a cruzar-se com outro verme que parecia ser de uma nova espécie, a investigadora australiana confirmou de novo as desconfianças iniciais. O artigo científico que contém esta novidade acaba de ser aceite para publicação na revista Zootaxa.

A nova espécie recebeu o nome de Diopatra micrura, e também aqui há uma explicação. Houve uma conversa entre a equipa à procura de um nome. Não quiseram escolher um que remetesse para as palavras "Aveiro" ou "Portugal", afinal o animal poderia vir a ser encontrado noutros sítios. "Houve alguém que disse que parecia uma cobra-coral, por causa das riscas azuis nas antenas." Como o género da cobra-coral é o Micrurus, é nele que se inspira a designação científica da nova espécie.

O novo verme encontra-se também ao largo de Aveiro, da Nazaré, da baía de Cascais e de Vila Real de Santo António.

Estatísticas

  • 2023 leitores
  • 5 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1420130

Comentário + votado

UA SEMPRE!

.

Nome

28.01.2010 12:26