Uma nova espécie de víbora, Atheris matildae, foi descoberta algures nas florestas das montanhas no Sudoeste da Tanzânia, de acordo com a edição de Dezembro da revista Zootaxa.
A serpente - de cor amarela e preta, com escamas que parecem pequenos cornos por cima dos olhos - chama-se Matilde, devido a uma menina de sete anos da Tanzânia. O animal tem 66 centímetros de comprimento e os estudos genéticos dizem que se separou evolutivamente da sua parente mais próxima, a Atheris ceratophora Werner, há apenas 2,2 milhões de anos. Segundo os investigadores, as duas espécies apresentam várias diferenças, nomeadamente quanto ao tamanho, proporção do corpo e distribuição.
Só recentemente, o mundo natural daquela região montanhosa da Tanzânia começou a ser estudado. Ao longo da última década, o trabalho da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem mostrou que as florestas e prados a Norte do Lago Nyasa têm uma elevada diversidade de espécies e muitos endemismos. Em 2009 foi descoberto o camaleão Kinyongia vanheygeni e, em 2006, o primeiro género de macaco dos últimos 83 anos, o Rungwecebus kipunji.
Serpente ameaçada
A serpente Atheris matildae só agora foi descoberta pela ciência mas a acção do Homem já colocou a espécie em risco. De acordo com Michele Menegon, do Museu de Ciência de Trento, na Itália, e colegas, o habitat do réptil não ultrapassa alguns quilómetros quadrados em fragmentos de floresta isolados.
Tanto a indústria da madeira como a da produção de carvão ameaçam a região, e os autores esperam que a víbora seja classificada como estando em perigo crítico, a categoria da escala da União Internacional para a Conservação da Natureza reservada para as espécies mais ameaçadas. O habitat exacto da víbora não foi revelado e o réptil já está a ser alvo de uma campanha de conservação.
Na Tanzânia ocorrem cinco espécies do género Atheris.
Notícia alterada às 10h13 de 11 de Janeiro, corrigindo a designação da espécie de serpente e acrescentando mais informação sobre a descoberta.


