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Animal foi encontrado no ano passado no Árctico

Cientistas russos revelam fotografias inéditas do interior do corpo de um mamute

10.04.2008 - 12:00 Por Reuters

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Lyuba terá morrido afogada Lyuba terá morrido afogada (Universidade de Michigan/Reuters)
Uma equipa de cientistas russos diz ter obtido as fotografias mais detalhadas do interior do corpo de um animal pré-histórico, neste caso uma cria fêmea de mamute, chamada Lyuba, encontrada no ano passado na zona russa do árctico.

“Pudemos ver pela primeira vez como estão localizados os órgãos internos do mamute”, disse Alexei Tikhonov, subdirector da Academia Russa do Instituto de Ciências Zoológicas, e coordenador deste projecto. “Os órgãos internos estavam bem preservados. O coração via-se distintamente com todas as aurículas e ventrículos, bem como o fígado e as veias”, explicou o cientista que acredita que o que se conseguiu foi muito importante para a ciência.

Lyuba morreu há 37 mil anos, durante a Idade do Gelo na região actualmente conhecida por Yamalo-Nenetsk. Apesar da cria já não ter pêlo, a pele, que permaneceu intacta, protegeu os órgãos interiores do contacto com as bactérias modernas.

O corpo de Lyuba veio do Japão em Fevereiro, onde foi estudado utilizando tomografias por computador, num método parecido com o que se faz em medicina para ver o interior do corpo das pessoas.

As tomografias produziram imagens detalhadas a três dimensões, mostrando que os órgãos estavam conservados sem nenhum dano ou fractura. Mas as vias respiratórias e o sistema digestivo estavam bloqueados com o que parecia ser limo, levando os cientistas a concluir que a cria morreu afogada.

“Se retirarmos uma amostra dos tecidos de Lyuba sem descongelá-la, há grandes hipóteses de obtermos bons resultados a nível da análise microbiológica e de ADN”, disse Tikhonov, que também é o director do Museu de Zoologia de São Petersburgo. O cientista acredita que o mapa genético do mamute vai ser descodificado dentro de um ou dois anos.

Várias espécies deixaram de existir desde que o Homem apareceu na Terra. Embora o investigador não acredite que alguém tente recriar o mamute, defende que ainda assim "faria sentido trazer de volta pássaros gigantes de Madagáscar e da Nova Zelândia, ou o dugongo de Stellar [um mamífero aquático que despareceu há poucos séculos]”.

O corpo de Lyuba está num contentor que o mantém a temperaturas negativas. Vai ser transportado para Salekhard, a capital da região de Yamalo-Nenetsk, onde será exibido este Verão. Está a ser preparada um caixa de vidro especial, que vai funcionar como um congelador.

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