Os arqueólogos que descobriram os vestígios de um novo hominídeo, muito pequeno — uma espécie de "hobbit" —, em 2003, na ilha das Flores, Indonésia, voltaram a receber autorização para prosseguir as escavações na mesma gruta onde foram encontrados os primeiros vestígios.
As autoridades indonésias tinham bloqueado o acesso à gruta desde 2005, após uma intensa polémica sobre a validade dos achados e sobre quem tinha de facto sido o primeiro a encontrá-los.
Entre algumas das contra-teses existentes houve quem já tivesse sugerido que este Homem das Flores era nada mais nada menos do que um pigmeu humano e não uma nova espécie. Esta tese é alimentada pelo facto de as espécies que vivem confinadas em ilhas sofrerem alterações na sua evolução relacionadas com o isolamento a que estão submetidas e à especialização que são obrigadas a sofrer. Outra tese sugeria que o Homem das Flores era um humano que sofrera de microcefalia — uma doença que faz com que os indivíduos fiquem com um cérebro muito pequeno e que pode causar também nanismo.
Richard Roberts, da Universidade de Wollongong, na Austrália — um dos investigadores da equipa que está a proceder às escavações —, afirma que a confusão já foi ultrapassada e que hoje, mais do que nunca, acredita-se que este já chamado "Homo floresiensis" é de facto um exemplar de uma nova espécie de hominídeo.
A descoberta consiste em vestígios de um hominídeo anão, de sexo feminino, com apenas um metro de altura e uma capacidade craniana idêntica à de um chimpanzé, que reúne características nunca antes descritas em nenhuma espécie de hominídeo conhecida, e que, segundo as datações dos achados já encontrados, pode ter co-existido com o homem moderno.


