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Artigo na Nature Medicine

Bactéria irmã da tuberculose pode ajudar a combater doença

06.09.2011 - 17:46 Por Nicolau Ferreira

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O bacilo da tuberculose ataca especialmente os pulmões O bacilo da tuberculose ataca especialmente os pulmões (Nuno Ferreira Santos (arquivo))
Uma possível ajuda ao combate da tuberculose não vem de um novo composto químico, mas de uma parente da bactéria que causa a doença. Uma equipa de cientistas descobriu que uma estirpe fabricada a partir de uma espécie irmã, consegue induzir protecção imunitária em ratinhos. A investigação foi publicada nesta semana na Nature Medicine, resta saber se é possível alcançar o mesmo efeito em humanos e produzir assim uma vacina.

A tuberculose continua a matar mais de um milhão de pessoas por ano, apesar de ainda se associar a um mal do século XIX. A famosa vacina da BCG, introduzida em meados do século XX, funciona de uma forma cada vez mais errática. Há estirpes muito resistentes contra as quais a medicina actual tem cada vez menos ferramentas para lutar.

Um terço das pessoas tem a bactéria encapsulada nos pulmões, mas patrulhada pelo sistema imunitário – a Mycobacterium tuberculosis é a espécie mais frequente a causar a tuberculose. Em condições normais, apenas dez por cento destas pessoas acaba por desenvolver a doença numa dada altura da vida. Mas indivíduos infectados pelo vírus do HIV, que provoca a sida, e que têm o sistema imunitário mais debilitado, têm uma probabilidade muito maior de iniciar a infecção.

De alguma forma o bacilo (nome que se dá às bactérias com forma de cilindro) começa a dividir-se, não é controlado pelo sistema imunitário, e o que se segue é a história clássica do herói romântico do século XIX: dores no peito, palidez, tosse com sangue, eventualmente a morte.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a região mais afectada pela doença é a África subsariana, onde a sida e a malária dão um empurrão para o aparecimento de infecções de tuberculose. Mas em todos os países são analisadas pessoas que estão infectadas com as estirpes mais resistentes do bacilo, e que se desenvolverem a infecção e não forem tratadas vão, em média, propagar o micróbio a mais 10 a 15 pessoas por ano.

Os autores do artigo e investigadores do College of Medicine de Nova Iorque resolveram estudar nos ratinhos um grupo de genes chamado esx-3 que tornam a Mycobacterium tuberculosis e outras espécies irmãs resistentes aos ataques do sistema imunitário.

Os ratinhos têm a sua própria forma de tuberculose, causada pela espécie Mycobacterium smegmatis, que também tem o grupo esx-3 e mata os roedores. Mas ao contrário da bacilo que afecta humanos, o Mycobacterium smegmatis consegue sobreviver sem este grupo de genes. Quando os cientistas injectaram ratinhos com uma quantidade enorme de Mycobacterium smegmatis sem os genes esx-3, os animais conseguiram debelar a infecção em três dias.

O passo seguinte foi a produção de uma estirpe de Mycobacterium smegmatis com os genes esx-3 da bactéria humana. Esta variante de laboratório, que foi chamada de ikeplus, também foi injectada em grande concentração nas cobaias. Os ratinhos conseguiram livrar-se da bactéria, mas ganharam uma memória da infecção.

Os cientistas tentaram a seguir testar esta memória. Injectaram a bactéria que causa a doença nos seres humanos, Mycobacterium tuberculosis, em três grupos de ratinhos. Um que não foi tratado com a estirpe ikeplus, outro que não foi tratado com o ikeplus mas foi vacinado com a BCG e um terceiro que não recebeu a BCG mas foi tratado com o ikeplus.

O primeiro grupo morreu, em média, passado 54 dias. O que recebeu a BCG sobreviveu até aos 65 dias. Mas os ratinhos que foram infectados com o ikeplus viveram 135 dias. Vinte por cento deste grupo alcançou mesmo os 200 dias e nas análises não apareciam vestígios do bacilo.

“Isto é algo com que sonhámos durante anos, conseguir uma protecção mais longa e uma imunidade face à bactéria”, disse o investigador William Jacobs, citado pela BBC News, responsável pelo estudo. A estirpe “ikeplus é diferente de todas as outras vacinas para a tuberculose e é uma nova arma para o arsenal contra [a doença].”

No estudo, os autores explicam que conseguiram identificar uma adaptação na resposta imunitária de certas células que combatem a bactéria.

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Comentário + votado

Correcção ao artigo

Ao jornalista que escreveu este artigo: Dizer Bactéria irmã da tuberculose não é correcto por dois ...

Anónimo

07.09.2011 22:53

X

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