Astrónomos identificam planeta com características “semelhantes” à Terra 
25.01.2006 - 19:30 Por AFP, Reuters, AP
Um planeta extra-solar, “cujas características se assemelham” às da Terra, foi identificado a cerca de 20 mil anos-luz do centro da Via Láctea, anuncia uma equipa internacional de astrónomos num artigo da revista “Nature”.
Este planeta sólido foi baptizado OGLE-2005-BLG-390Lb, avança em comunicado Jean-Philippe Beaulieu, do Instituto de Astrofísica de Paris, que coordenou os astrónomos do Probing Lensing Anomalies NETwork (PLANET).
O planeta está três vezes mais distante da sua estrela do que a Terra está do Sol, o que poderá explicar a baixa temperatura, estimada em 220 graus negativos. A sua superfície rochosa estará coberta de gelo. Apesar de ser mais frio, o planeta tem uma atmosfera muito parecida com a da Terra.
Para Pascal Fouqué, do Laboratório de Astrofísica de Toulouse e Tarbes, a temperatura “extrema” do planeta “impede, provavelmente, a emergência de uma forma de vida”.
Na última década, a comunidade científica detectou mais de 160 planetas na órbita de estrelas fora do nosso sistema solar. A maioria são planetas gigantes, formados por gás, hostis à vida como a conhecemos na Terra.
Agora, esta equipa internacional – constituída por 73 cientistas de 32 institutos, de doze países – detectou um planeta que terá cinco vezes a massa da Terra, ainda assim pequeno o suficiente para ser considerado semelhante à Terra.
"Embora não tenhamos encontrado um (planeta) verdadeiramente análogo à Terra, pelo menos sabemos que planetas pequenos existem e que são mais quentes ou mais frios do que a Terra", explicou Martin Dominik, da Universidade de St. Andrews.
“Este é um importante avanço na procura de sabermos se estamos, ou não, sozinhos”, comentou Michael Turner, da National Science Foundation.
Turner lembrou ainda que a descoberta prova o sucesso da nova técnica usada – as chamadas micro-lentes gravitacionais - para detectar planetas habitáveis. Este método utiliza uma rede de telescópios que observam as alterações no brilho que nos chega de estrelas distantes.
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