Agência Espacial Europeia prevê perda de recursos florestais no sul e no interior de Portugal

22.11.2005 - 18:52 Por Lusa
A Agência Espacial Europeia (ESA) prevê para os próximos anos uma perda de produtividade dos recursos florestais no sul e no interior de Portugal, segundo o projecto de desertificação DesertWatch, apresentado hoje num seminário em Lisboa.
"Para os próximos anos não há cenários catastróficos. O cenário é tendencial e haverá uma perda de produtividade de biomassa em áreas de risco de desertificação do sul e do interior do país", disse Lúcio do Rosário, o único português envolvido no projecto.
"Há de facto aí uma perda global de produção, que não sabemos se vai ou não acentuar-se", acrescentou.
O Desertwatch é um projecto em desenvolvimento na ESA que pretende fazer uma avaliação da ocupação do solo na região mediterrânica nos últimos 30 anos e traçar cenários até 2034.
Este sistema de acompanhamento de desertificação da região mediterrânica vai ser instalado na Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano, no âmbito do Plano Nacional de Políticas de Ordenamento do Território.
De acordo com Lúcio do Rosário, os incêndios e a seca em Portugal reflectem uma grande tendência de alteração de produção dos recursos florestais e agrícolas.
"Nos últimos 20 ou 30 anos assistiu-se a uma transferência da produção de biomassa de sul para norte. Há menos biomassa neste momento à volta do mediterrâneo, designadamente em Portugal e em Espanha, do que havia anteriormente", explicou.
O especialista português adiantou que o projecto permite também concluir que há "uma ocupação em áreas urbanas concentradas ou difusas ao longo das grandes vias de acesso existentes ou projectadas".
Lúcio do Rosário disse ainda que em Portugal está a assistir-se à reconversão de áreas florestais pelo uso agrícola e à transformação de áreas naturais.
O presidente da Comissão Nacional de Desertificação, Vítor Louro, também presente no seminário, disse que os incêndios florestais e o urbanismo são os factores que mais contribuíram em Portugal para "a degradação definitiva" do solo. No entanto, o mesmo responsável adiantou que o urbanismo é o factor que mais pesa devido à sua ocupação irreversível. De acordo com Vítor Louro, a agricultura e a desertificação humana também contribuem para a degradação dos solos.
"Regar em toda a parte e a intensificação da pecuária - colocar pouco gado em pouco espaço -, são dois dos motivos fundamentais para a degradação da terra", sublinhou.

