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A NASA diz que desta vez, a Phoenix viu mesmo gelo em Marte

20.06.2008 - 18:05 Por Ana Gerschenfeld

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As últimas fotografias enviadas pela sonda mostram uma camada branca por baixo do solo que pode ser gelo As últimas fotografias enviadas pela sonda mostram uma camada branca por baixo do solo que pode ser gelo (NASA)
Eram umas pedrinhas de um material brilhante, aproximadamente do tamanho de um dado, que a sonda da NASA Phoenix tinha posto a nu na quinta-feira da semana passada ao escavar um local denominado Dodo-Goldilokcs, no pólo norte marciano. A Phoenix fotografara logo o achado mas não mexeu nele. E, quatro dias mais tarde, no domingo, quando voltou a fotografar o mesmo sítio – surpresa! As pedrinhas tinham desaparecido das imagens. Para os responsáveis da NASA, o que aconteceu é óbvio: o material brilhante era gelo, que se evaporou em quatro dias porque foi exposto à atmosfera de Marte.

A Phoenix é um autêntico geólogo e a sua missão é assumidamente determinar de vez se terá havido recentemente em Marte condições para a existência de vida – por exemplo, nos últimos dez milhões de anos. E quem diz condições para a vida, mesmo microscópica (ninguém está à espera de encontrar homenzinhos verdes), diz água. Ou mais precisamente gelo, preso no imenso campo de permafrost que parece cobrir esta região polar do planeta vermelho. Muitos indícios têm feito os cientistas suspeitarem da presença de gelo em Marte, mas ainda ninguém o segurou na mão (ou num braço mecânico). Todas as esperanças estão agora depositadas na nova sonda.

Será que, de tempos a tempos, o gelo derrete e permite que a vida microscópica floresça no subsolo? E será que aquela região pode ser habitada por humanos?

Com o seu braço robotizado de 2,35 metros de comprimento, que a Phoenix utiliza como uma autêntica picareta, ela pode escavar o solo até meio metro de profundidade. Depois, as amostras colhidas passam para outros instrumentos, para serem analisados: um deles pode aquecê-las para medir os gases que contêm, outro analisa as suas propriedades químicas e um microscópio examina os minerais. A panóplia de instrumentos científicos da sonda inclui ainda uma estação meteorológica, que permite medir a água, as poeiras e a temperatura presentes na atmosfera. As imagens dos buracos feitos no solo são obtidas graças a uma câmara colocada no braço robotizado, enquanto uma outra câmara, empoleirada num mastro, fotografa a paisagem.

Diga-se ainda que, durante os três meses previstos para completar a sua missão, a sonda ficará parada sempre no mesmo sítio e terá de suportar temperaturas mínimas de 73 graus Celsius negativos e máximas de 33 graus Celsius negativos.

O gelo, ou talvez não

Em inícios de Junho, a Phoenix, que tinha aterrado no pólo norte marciano poucos dias antes, em finais de Maio, já tinha descoberto, no solo situado mesmo por baixo dela, algo que também parecia ser gelo. Tinha enviado fotografias para a Terra, que os responsáveis da missão na agência espacial norte-americana tinham acolhido com grande entusiasmo (ver Sonda Phoenix já viu gelo e deixou pegada à Yeti no solo marciano, PÚBLICO de 03.06.2008). Mas desde então, as dúvidas tinham-se acumulado quanto à real natureza do que as fotografias mostravam. Isto porque as análises que a sonda tinha feito a seguir das amostras que recolheu não revelaram a presença de água nenhuma.

Nas novas imagens agora divulgadas, porém, a situação parece ser diferente. “Tem de ser gelo”, diz Peter Smith, investigador principal da missão, da Universidade do Arizona, em comunicado da NASA. “O facto de estes pequenos cacos terem desaparecido totalmente ao fim de uns poucos dias é a prova perfeita de que se trata de gelo.” E acrescenta: “Há quem tenha levantado a hipótese de que se poderia tratar de sal, mas o sal não consegue fazer isso.”

Os cientistas esperam agora que a confirmação venha de dois outros locais de escavação, um deles baptizado “Branca de Neve 2” (os locais onde a sonda esburaca o chão marciano estão a ser baptizados com nomes de personagens de contos e cantilenas infantis, como Humpty Dumpty ou Rainha das Neves). Em ambos os sítios o braço robótico interrompeu a escavação porque encontrou uma placa dura por debaixo de uma fina camada de solo (foi programado para fazer exactamente isso, para parar em presença de superfícies duras).

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